sábado, 7 de maio de 2011

VULCÂNICA

Vulcânica e abrasiva
derreto o gelo de tuas palavras
a língua de minha alma
a percorrer mentiras torpes

Flamejantemente verídica
escorro por tuas paredes nefastas
corroendo o mel de tuas lástimas
num profundo fumegar de adeus

Empírica e resoluta
ateio brasas nos teus olhos surdos
acordando a ilusão sincera
diluída em mármores imundos

E se me calo...
silenciando mansamente minhas verdades
não esqueças que sou vulcão sereno
adormecido por mera comodidade

Mas quando falo..
vomitando internamente minhas lavas
não esqueças que sou vulcão extinto
com uma fome desesperada de jorrar.

Lena Ferreira & Marcia Poesia de Sá

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BREVE

Finjo ser um
fingidor
Das dores que deveras sinto
Das esmolas que mendigo
Das migalhas
Dos respingos
Do que digo que não sinto
Do que sinto...
...Apenas dor.

Finjo ser o criador
Das falas que já existem
Dos sonhos que tanto insistem
Das ilusões
Dos enlevos
Dos que ouço e não repito
Do que foi dito
...e não escrito.

Finjo fingir e
criar
O suposto
verbo amar
E toda a
criação

Finjo ser
ilusão
Imortalizada e
concedida
Consentida
pela vida
E por toda
inspiração.

Mavie Louzada &Lena Ferreira

CONVITE

RECRIARTE

Tenho ficado por muito tempo
Num lugar que não conheço...
Desconheço-me, diante de tal apatia
Tal angústia que paralisa
A mente
A face
A carne
A alma que
cria...

Sinto o corte
rompendo as veias
que esvaem-se em sangue lento
e deitam-se com o pranto alheio
nesse mar de certezas incertas
que tenta me derrubar com ondas ilusórias

Resisto...
Insisto...
Persisto...

[Re]invento
Atento
No intento
De recriar-me
Através da arte
Que invento.

Mavie Louzada e Lena Ferreira.

domingo, 10 de abril de 2011

QUANDO CHOVE...


A chuva instiga todas as lembranças
Alargam-se as lacunas na memória
Saudades ocultas, arrastadas, tantas
Contorcem-se num vendaval agora
.
Gavetas hiantes num deslize do tempo
Devassam desejos, antes esquecidos
E por sobre a lassidão do pensamento
Pairam sentimentos adormecidos
.
Relâmpagos chicoteiam a mente
salgadas gotas inundam a boca
nos olhos, um vermelho quente
a alma a debater-se feito louca
.
Trovões com estrondosas vozes
despertam um passado dormente
libertam as vontades mais ferozes
de um peito que andava descrente
.
Glória Salles & Lena Ferreira