terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VERSOS PERENES

Sobre as nuvens o sol brilha
Mesmo que abaixo chova
O céu azul é uma trilha
Parece macia alcova

Gotas tão resplandescentes
Pelas nuvens vão vazando
São as lágrimas pendentes
De olhos que estão chorando

Cai a chuva; torrente de paixão
Banhando-nos de pura emoção
Refaz o nosso amor serenamente

É bom chorar, sentir que a dor transborda
Porque na vida a gente sempre acorda:
Existe um céu azul perenemente.

(Lena Ferreira & Venus Barreto)

DANÇA VERSADA

Num momento leve, conduz
Um poeta a uma poetisa
Valsando em versos de luz
Inspirados pela doce brisa

Em momento de rara beleza
Uma poetisa, um nobre poeta
Dançando suave com leveza
Movidos pela paixão direta

Seus pés pela areia deslizam
Deixando a platéia extasiada
Em passos que se eternizam

No céu virou estrela versada
A dança, o verso que brilham
Solenemente nos faz cantada

Lena Ferreira & André Fernandes

domingo, 24 de janeiro de 2010

POR TRÁS DO ESCRIBA

Vejo além, muito além do rumor da leitura
Uma inquietude larga que o verso propaga
É a alma do escriba que escreve na lonjura
Que o DNA não apaga, incutido na rima amarga
.
Algo de estranho corre por trás daquela escrita
Ora ele ilumina os vales, as estradas e as casas
Ora ele fulmina com chalés, paisagens e lindas matas
Incendiando a alma do leitor, culmina em brasas
.
Mas pensando bem não é nada muito estranho
Somos poetas e quantas almas nós temos
Deixá-las falar em profusão é o que devemos
.
Não nos prendamos em conceitos tacanhos
Soltemos a língua das tantas letras que gritam
Aliviemos em versos a exaustão da alma aflita
.
Decimar Biagini e Lena Ferreira
2401/2010

COISAS DA NATUREZA

Um cacto com a sua aspereza
tem este jeito rústico de ser,
tosco e inculto, pode parecer
mas isto é próprio de sua natureza.

Um homem com a sua rudeza
afasta as pessoas ao seu redor
mas se agisse com delicadeza
a sua vida seria bem melhor

O ser humano pode melhorar
o seu jeito de ser e de tratar
o mundo que o cerca e o escolhe.

Já que tudo o que faz, tem o retorno
Não praticando o mal, não há transtorno,
cada um tem a vida que escolhe.

(Camélia La Blanca & Lena Ferreira)

sábado, 23 de janeiro de 2010

SUSTO

Minha pele arrepiou-se toda
Quando a palavra saiu de trás da porta
Desenfreada, livre e solta
Mostrando a sua cara tosca e torta
.
Meus olhos arregalaram-se um pouco
Quando avistaram seu insensível rosto
Desgrenhado, perdido e louco
Na boca, língua oprimida por desgosto
.
O coração palpitou sobressaltado
Nas ondas das lágrimas que escorria
Pois não esperava um dizer armado
Com indiferença, julgamento e ventania...
.
Minha alma compreendeu, com custo,
Que toda aquela desesperada situação
Não foi nada mais que um grande susto
Fruto da minha tão fértil imaginação

Depois do susto, com carinho e mil dedos
Dizia-me segurando um lindo buquê na mão
Que o mistério do medo tem seus segredos
Eternamente inscritos, com amor, no coração.

(Janete do Carmo & Lena Ferreira)
Palestina/ Rio de Janeiro
2301-2010

BASTARDOS INGLÓRIOS

Desfilavam suas armas; notórios
Mãos sangradas de sangue alheio
Tão pomposos; coitados, inglórios
Incontidos em crueldade sem freio

Tolos guerreiros à beira do purgatório
Soldados ocos sem ideais nem razão
Pobres folhas voando de modo aleatório,
Águas de um rio que para o mar dão vazão

Desfilam suas verdades cruas; iludidos
Mal sabem estarem todos tão perdidos
Nessa guerra alimentada pela cegueira

Homens-Zumbis pela vida agredidos
Como abortos pelo ódio eclodidos
Vivendo a vida/morte carniceira

Lena Ferreira e K.chiabotto

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SONETO LIVRE À AMIZADE POÉTICA

Tu estás cada vez mais retilínea
Com rimas criativas e envolventes
Gosto das temáticas que alinha
E dos quatorze versos dependentes

Tu estás cada vez mais carismático
Com aproximações procedentes
Gosto de poetas assim simpáticos
E de seus versos que são cadentes

Tudo podemos nas canções em poesia
Na amizade poética e na bela melodia
No falar do amor em versos estridentes

Tudo podemos ao exaltar a harmonia
Na vida e na arte sermos sorridentes
Compondo versos condescendentes

Decimar Biagini e Lena Ferreira
2201-2010