quinta-feira, 7 de outubro de 2010

REALEJO ENCANTADO


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Canta a lua, alta madrugada
em versos de dizer que ama
canções de almas apaixonadas
ouvindo-a, o coração te chama
.
Bate-me um vento; brisa doce
nos olhos roça-me a saudade
de quem partiu como se fosse
nada, todo o meu amor-verdade
.
Então os olhos marejados
de pratas lágrimas de luares
vão arranhando assim, alados
campos verdes, de meus suspirares
.
Alento seja novamente meu desejo
pois apraz-me o contentamento
e, que as canções me sejam um realejo
trazendo de volta o amor que partiu no vento
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Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas 06/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REPARTIDA (Wasil Sacharuk/Lena Ferreira) AUDIVERIMUS & TROVART

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

REPARTIDA

Cala o verso na boca
calo confuso na língua
colo versado que míngua
cisma a voz; canta rouca

Corta a língua da louca
boca, praga e mandinga
bafo de verve em moringa
a desinspiração bocomoca

Servem-me água parada
com cicatriz ainda aberta
peito para e me aperta
pena em lança; sai nada

Pedem quindim e cocada
em troca de amor e coberta
vendem a errada por certa
invertem o rumo da estrada

Calo o calo e caminho
verso e verbo comigo
sigo; não vou sozinho
conto com meus amigos

Cato para o meu ninho
beijo, comida e abrigo
queijo, lambida e vinho
acima e abaixo do umbigo

Sirvo da minha verve
que agora vai revivida
pena leve que escreve
toda a graça da lida

Agora eu saio da greve
de inspiração repartida
e deixo um até breve
para a parceira querida.

Lena Ferreira e Wasil Sacharuk

sábado, 2 de outubro de 2010

DÚLTIMO POEMA

Há uma palavra pendurada
na ponta da língua,
bêbada de medo
pela ausência
anunciada.

Alguma que, agora lembrada,
jazia. Que não se extinga
num quase segredo...
Resiliência
intentada.

Há uma aflição tamanha
no canto da alma
trêmula e tensa
pelo rumor
silente

que já se sente,
como um furor
na alma extensa
que perde a calma
no poema que já não canta.

Há um verso preso na garganta
há um verbo indizivel, indelével
há uma bruma; cortina de fumaça
há uma dor imensa que não passa...

Lena Ferreira & Ânderlo Strwsk

domingo, 19 de setembro de 2010

DAS PROBABILIDADES ÀS CONSTATAÇÕES

Desconsidero a possibilidade do engano
quando prende-me em teus olhos aflitos
ansioso por ouvir os meus tantos gritos
prendo amor desmedido, imenso e profano

Encarar a felicidade é fingir a não-tristeza
Erguer-se da ausência, os olhos caídos
Sofrer a angústia de amores prendidos
E ver nisso tudo, toda e tanta beleza...

É supor que a vida valha qualquer sorte!
É entregar-se sem temer a desventura
destecendo os fios-nós da amargura

É deleitar-se em dias frios, sem ternura
É não deter-se, dos caminhos, nas lonjuras.
Mostrando a toda a gente: só o amor é forte.

Lena Ferreira & Ânderlo Strwsk