domingo, 6 de maio de 2012

DO CONTRÁRIO




Após um banho despetalado de mim, cuido da alva pele que me reveste, ressecada pelo tempo, mas hidratada pela serenidade. Despida e quieta dirijo-me a mim. Diante do espelho não vejo o que olho, consciência tenho que minhas retinas me fitam, mas só encontro a menina sem riscos na face, com o seio nascendo, braços e pernas finas, sorriso contido e lágrimas incontidas. Observo o retroceder da cena, o suor dos olhos limpando a trela da maquiagem, o tempo uivando convites e despertando os ânimos esquecidos. Sem demora, a menina que vejo, salta, brinca, ri e chora, esquecida dos olhos ocultos que espreitam seus atos impensados. Ingênua, pensa, ainda, que pode alcançar liberdade e num rodopio fremente ergue os braços e espanta a fumaça que embaça os meus pensamentos. Rodopiando entre fases e lugares, alarga os espaços do passado e do logo mais, entre devaneios e alucinações, gargalho em ênfase ao desabafo dos atos secretos. Entre eus e múltiplos contextos os segredos se desvencilham, encaixa-se na minha Pandora e num desarrumar de formas não fecho, não me fecho. Brinco. Faço-me feliz sem logo mais. Agora. Meu tempo ou minha idade se determinam no malabarismo do vento, eu não enxergo. Quem enxergará? Só do avesso tem segredos para entrar? Quem os sabe além de mim? Não me revelo, me resvalo...
...do contrário não me seria. E hoje me sou!

Bia Cunha & Lena Ferreira

RUPTURA



Me perdi, vagante, a me procurar
por entre setas, achei cismas tantas
por poucas gretas, ouso passar
assento no silêncio meu, aspiro o equilíbrio das plantas

Caminho incerto, aperto passos, aparto folhas
Sozinho, inquieto, solto as asas, acato cactos
Derramo lágrimas tantas, como fossem bolhas
Desenho em traços, os riscos natos desses fatos

Feliz seria  se pudesse brotar por entre vielas
Ouvir o canto encantado de sereias e violas
Caminhar por entre flores em vias  paralelas

Romper as cismas dançando castanholas
Sapatilhando, rodando a saia bailava a espanhola
Na expectativa do porvir, e achar só coisas belas

Gustavo Drummond, Lena Ferreira, Bia Cunha, Tiagilla, Angela Chagas& Zia Marinho

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PALAVRAS FRANCAS




O céu chorou por muitos dias
mas hoje amanheceu sorrindo 
Sorri em mim por muitos dias
mas hoje amanheci chorando 

O sol, então, olhou pra mim
e passou as mãos em meu rosto
Ao toque ardente de seus olhos
as brasas do avesso acenderam 

O que era inverso a alegria
senti evaporar de minha alma 
O que era verso na poesia
absorvi em alma para encharcar os sonhos 

E passei a acreditar mais em mim
na força interior que me habita 
Passei a me sentir no mundo
e me expandi em orvalhos nas folhas brancas 

Onde brotaram palavras francas
e floresceram versos leves 
O leitor colheu minhas verdades da alma
que hoje alimentam sonhos e insanidades 

Lena Ferreira & Bia Cunha

RETRATO FALADO




Quando dei por mim, foi que compreendi 
Que, dos nossos pais, somos mais que retratos e veias 
Somos uma caixinha de surpresa envolta de frenesi
Somos qual aranha que trama, com cuidado, suas teias 


Quando eu percebi, não quis encarar o espelho 
Temendo que ele me mostrasse a verdade dura 
Evitei, e antes que alguém intrometesse o bedelho 
Vi que refletia, não apenas uma simples criatura. 
 
Na verdade, uma pessoa que peleja e busca 
Pela luz que emana do auto-conhecimento 
Por sua garra,  que  paulatinamente ofusca 
 
 
Não está fadada a ficar de vez no esquecimento 
Dos nossos pais, as obras divinas permanecem 
Em minha alma seus passos e olhos me regem 

Angela Chagas, Bia Cunha, Lena Ferreira & TIAGILLA

CANTO DO ROUXINOL



Lágrimas que inundam o meu ser
borram a tela que compúnhamos em frente ao sol
deixam meu semblante triste, mas não posso me abater
sei que amanhã ouvirei o canto do rouxinol

Lágrimas agora, bem mais refrescantes
limpam meu rosto, varrem a solidão
Pintam a nossa tela com um sol deslumbrante
Com a alegria e sorrisos de apogeu de época de verão.

Sorrisos banham o meu momento de explosão
Minha alma absorve estrelas, sois e luas de esperança
Minha mente se abre ao vê-la; milagrosa visão.

Meu coração lavado de amor revive boas lembranças
E se entrega as aventuras de cada novo dia
Prantos se foram, ficou apenas o canto da esperança!


Angela Chagas, Bia Cunha, Dhenova & Gustavo Drummond

terça-feira, 1 de maio de 2012

ENTRELINHAS



Seguirei em passos lentos, com cuidado
depois de tantos tropeços, me acautelo
qual um prego que desvia do martelo
evitando, a todo custo, o machucado .

Tentarei fazer-me imune diante tantos
os percalços encontrados, camuflados
com a sabedoria dos verbos encantados
sei bem que não sou santa, mas me imanto .

Das ruínas do castelo, erguerei  ponte
que me levará mais perto do horizonte
onde enxergarei a vida com clareza.

Na entonação, sempre existirá uma certeza
mesmo que eu me atravanque em montes
seguirei as entrelinhas que na vida é a fonte.

Lena Ferreira & Angela Chagas

IMPREVISÃO DO TEMPO




Por dentro, o sol sorri achando graça
da chuva que, lá fora, insiste tanto
lamento, e muito, por todo esse pranto
mas não mais choro diante desta praça. 

Por fora de mim, eu acolho o teu sorriso
Que anima, e eu me sinto mais feliz
Embora, o meu pranto seja preciso
pois de mim sigo sendo o juiz. 

Independente de mim, o sol brilha
e a vida segue, calmamente a trilha
sem parar para ouvir meus lamentos
.
E eles vão como vão soltas ao vento
coloridas pipas nas mão de criança
tremulando nas asas da esperança.

Lena Ferreira, Angela Chagas & Marisa Schmidt