terça-feira, 27 de julho de 2010

SIBILANTES

Correm, sibilantes, as águas
Deslizam lavando a alma
Das dores, mágoas e pó

Deslizam, silenciosas, as nuvens
Correm pelo céu em leveza
Ouvindo a direção do vento

Correm, silentes, as vozes
Deslizam despertando ouvidos
Para a anunciação eminente

Deslizam, sussurrantes, as fadas
Correm pelo ar em missão
Distribuindo a boa-nova urgente!

Lena Ferreira e Anorkinda

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O MAL

O mal da tua ausência
Emagreceu minha vontade,
Adoeceu-me de saudade,
Doeu-me de negligência!

O mal da tua falta imensa
Engoliu meu pensamento
Aniquilou-me; no momento
Minha alma, inteira, tensa

O mal do teu descaso
Nesse silêncio, sufocado,
Fez o amor, abandonado
Perdendo-se no acaso!

O mal do teu desprezo
Fez-me ferida medonha
Deixou-me tão tristonha
Mas tu não sairás ileso!

Telma Moreira & Lena Ferreira

sexta-feira, 16 de julho de 2010

TRAVO NA ALMA

Trago um pote de mágoas
No lado esquerdo do peito
Garganta clama por água
Sede de um amor desfeito

Trago a dor da saudade
Da vida que foi embora
O tempo fez a maldade
Deixando o riso de fora

Trago um travo na alma
Amargo e silente gemido
Agonia retirando a calma
Deixando o peito oprimido


Lena Ferreira, Telma Moreira & Eliane Thomas
16/07/2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NA FONTE

Dançando entre nuvens e brisa
estrelas cadentes, elfos e fadas
riscamos o vento com suavidade
tecendo versos com fios de prata


Celebrando as fases da lua
o nascer do sol, outro dia
soamos as rimas em quase fuga
do poeta em solidão arredia

Brindamos o sopro da vida
com a água colhida na fonte
num cálice alto e dourado
embriagamo-nos de poesia

Lena Ferreira & Eliane Thomas
1407/2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

IMPACIENTEMENTE SEM RAZÃO

.
Acenam-me as horas, calmamente
Como a debochar da minha impaciência
Logo eu, que tenho tanta urgência
Pela resposta prometida pelo tempo...
.
Os ponteiros do relógio se arrastam
E, sorrindo, observam minha aflição
Tento ocupar a minha mente; é inútil
O tic-tac tão moroso me enlouquece...
.
E assim tomado de urgente desafio
Por um fio abstenho-me de gritar
É que o tempo, por certo, indiferente
Escorrerá tranqüilo ignorando o desespero...
.
Debalde meus apelos absurdos
Cada minuto é o encaixe do destino
E na verdade, não há porquê tanta fissura
Se a ternura definiu também, nosso caminho!
.
Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas. 22/06/2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CHUVA DE VERSOS

Corisco riscando o asfalto,
o céu, de nuvens, deserto
atiçando o destino in[certo]
de asas que ousam o alto.

Trovões que estremecem o aço
e abrem frestas no paço.
Reis e rainhas sem laços
nas asas do pássaro dourado.

-Desgarrados, destemidos, predestinados...

Tempestade que abala estruturas
sacudindo, da mente, as pilastras,
fogo em palha que se alastra
voo in[certo] atingindo as alturas.

-Dos homens, das fases, das luas...

E o verso homérico desnudo
qual chuva de palavras latentes,
aguarda a estrela cadente
derramar o sentimento escuso.

-Dos vos enigmáticos in[seguros]

(Lena Ferreira & Aglaure Corrêa Martins)
- 09-06-2010 -

terça-feira, 1 de junho de 2010

DANÇANDO AO LUAR

Estrelas como pétalas de rosa
Despencam do céu em mimos derramados
Neste cenário onde a Lua esplendorosa
Cobre de luar casais de namorados.

Tão apaixonados, esquecem as horas
Entre carinhos tantos, quentes beijos
Rendendo-se ao amor já sem demora
Declaram ao luar os seus desejos.

Entre eles estamos e nosso amor
Resplandece neste jardim em flor
Neste valsar de mágico momento.

Intercalamos nossos passos leves
Com beijos ardentes e nada breves
Causando à lua constrangimento.

Lena Ferreira & Rui E L Tavares
01/06/2010