quarta-feira, 25 de março de 2015

POEMA DAS ALMAS INQUIETAS

Das frases suspensas nas fases de estio
vazio suspeito dobrando viéses
das vezes que verso em rima de frio
verbo por um fio remete a reveses

Das vozes sedentas das dores de cio
fastio que sustenta solvendo osmoses
das doses de inverno em clima sombrio
o inferno bravio reclama os algozes

Das vezes que o vento ventou sobre as folhas
daquelas escolhas tidas como certas
das reses cobertas, envoltas em bolhas
perto se fez longe  das portas abertas

Das bases que o tempo calcou sobre as formas
das normas cuspidas julgadas corretas
das fezes fedidas banhadas de aromas
forjou-se o poema das almas inquietas.


POEMA DAS ALMAS INQUIETAS - Lena Ferreira & Wasil Sacharuk - mar.15

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O QUE SERIA DE NÓS

O que seria de nós
não fosse o riso fácil que nasce solto
como um leve e terno abraço
mesmo distante, mesmo sem ser visto,
aliviando a vida e seu cansaço?


O que seria de nós
 sem este abraço morno,
sem este poema contido,
sem este ser em nós?


Ah ...
O que seria de nós, não fosse a poesia bravia,
o mar que nos bate e os pingos de sol?

 Ah...
O que seria de nós, não fossem os laços refeitos...
docemente rarefeitos, úmidos de manhã e sal?


Não sei...
Não tenho a resposta precisa, exata e sensata...
Só sei que não seríamos os mesmos.
Só sei que sem poesia, sem esse gosto de maresia,
Seríamos mais sós, mais nós e bem menos alegria.


E assim, a vida teria menos graça,
o riso seria por pirraça e não espontâneo e franco como este
que nasceu agora.


Somos o âmago do verso,
o inverso do incerto, a pureza do arrebol.
Somos a pura essência da prosa, o abraço morno da rosa
quando se deita mansamente no terno afago do sol.


O que seria de nós? !



O QUE SERIA DE NÓS – Lena Ferreira & Marcia Poesia de Sá – dez.14



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ASSOVIO

Não grite o amor, amor...
Aquiete
a frase, o verbo, o verso e a língua
Ninguém precisa saber de nós
a não ser nós dois e esse silêncio suspenso e macio
Fala baixo, baixinho
que a minha alma se assusta
com lenços caindo ao chão
Sussurra, então, a declaração bendita ao pé do ouvido
ou um gemido miúdo, como um gato no cio
ou um assovio fino, fininho
com sabor de hortelã
Ou qualquer coisa que se assemelhe a brisa
que não avisa quando vai chegar
Mas por favor, não grite...
Aquiete
o vento e o inverso à míngua
Ninguém precisa estar entre nós
a não ser nós dois com o coração
na palma
Então, perceberá que amar é só calma
silente de olhos ardentes, amor
Inquiete
a frase, o verbo, o verso e a língua
em nós



ASSOVIO - Lena Ferreira & Bia Cunha - nov.14

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A ESTRANHEZA DE ESTAR

A estranheza de estar ( Prosa a 4 mãos )

Estou e não me sinto estando. ...
O verbo não casa com a rima. São coisas que me azucrinam, a distância que se aproxima, é tudo, é muito, é veloz, nada se faz poético!

Chega a ser patético, escritores virando frases, é a noção que se perde, a fluidez que se esvai. Na face, um ar de poesia. Nas mãos, um giz que se desfaz...

Estou me sentindo carente. Poeta vive de luz e é um amornar permanente, é um cadinho de cruz, é sina, é sentimento. Não dá para amar às pressas...

O Face destrói a palavra, resume o amor em hora incerta, fragiliza a sensação, faz a massa virar pão, bisnaguinha sem conteúdo, sanduíche em produção...
Quero a ausência das horas, os amigos pegando nas mãos.

Quero o poema na alma...um tanto mais de desrazão. Estou e me sinto não estando, num estado de paralisia que asfixia a voz da calma, da atmosfera criativa, da troca, da conversa amena, das construções de poemas altas horas, noite a fora....

Agora, o que temos é um mero click, um 'like', um gostar e em outra língua...língua muda, sinalizando passagem.
- Onde foram parar as palavras? os diálogos intensos, as viagens poéticas? o encantamento?...

Sinceramente, recuso-me a aceitar este tipo de mudança que nos leva a bagagem sem nosso consentimento nos deixando ao vento...ou ao Deus dará...

Bagagem seca e esturricada, um cadinho de nada, para quem tem tanto a dar...

Márcia Poesia de Sá e Lena Ferreira
(Em óbvio desagrado ao face.)

Fotografia de Eliana Desa.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SIMPLES


SIMPLES

Amor é energia que se espalha por aí
em partículas invisíveis que pairam no ar
Amor também é força que brota dentro de mim
e vitaliza as fibras de um novo pulsar

Amor apenas se esconde
em gente que só causa mal
Pois não sabe onde encontra
essa enorme fonte vital

Amor é intrínseco à vida,
é natural em todo momento
Estado de calma estendida
a quem espalha este sentimento

Amor é algo natural; não se explica, não se entende
Amor é diferente, cresce quanto mais oferecemos
Amor não se mede nem se pesa mas se estende
quanto mais nos entregamos, com ele, crescemos

Amar, então, é livre manifestação
de fora para dentro, de dentro para fora
Amar, então, é essa simples equação:
Ficar ao lado quando, livre, poderia ir embora.

Fabio Granville & Lena Ferreira - jun.14


terça-feira, 13 de maio de 2014

NOSTALGIA

Vejo a lua na imensidão escura
que, brilhando solteira,descortina nuvens
e mostra-me estrelas pequeninas
purpurinando o céu, bem discretas

A brisa que paira nesse instante
é como um manto que me cobre
e completa a cena de encanto, toda em prata
meus olhos são duas poças d'água

De lembranças e sentimentos nostálgicos
que me levam a tempos inesquecíveis,
a momentos que me tatuaram a alma
sob a lua sorridente na escuridão

E enquanto a noite espreita cada gesto
cada passo, cada suspiro por mim dado
tateio-me por dentro e a busca é inútil;
dos tempos idos, resta apenas essa lua...

...que, solteira e solidária, me acompanha

NOSTALGIA - Roberto Camara e Lena Ferreira - mai.14

terça-feira, 6 de maio de 2014

SEMENTE DO AMOR

SEMENTE DO AMOR

O amor é divino, é semente que germina no coração
O amor é como sombra que abriga os sentimentos
Fala de ternura ao coração com os olhos da paixão
Fazendo o caminhar ser lento por dentro da alma de quem o usa

O amor é capaz de transformar, acontece quando não esperamos
e se o esperamos, ele nos foge; o amor não sabe esperar...
E na sua bandoleirice, logo se aninha em outros tálamos...
e no fundo de minha alma vem acampar...

E acha em meu coração, um lugar seguro
atravessando pontes e transpondo muros
não encontra o aconchego, que deveria encontrar.

Mas, amor quando é amor de verdade, insiste
Por mais que eu queira, meu coração não desiste
e segue a conjugar o verbo que me faz caminhar.


Diná Fernandes, Roberto Camara, Luiz Dutra, Kleber, Angelina Cruz & Lena Ferreira