sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CU VIRADO

Cu Virado

mudo 
o vento do verso 
a rima da rosa 
o cheiro da prosa 
o rumo da oração 
mudo 
o verbo do intento 
o inverso do insumo 
a reta do rumo 
a rota da opinião 
mudo 
o avesso da norma 
a forma da rega
a liga da régua 
a regra da pontuação
mudo
a metade de um terço
a sina penosa
a treva escabrosa
o ritmo da canção
mudo
o cérebro do invento
o disperso do prumo
a análise do resumo
a punheta de mão
mudo
a indefinição da forma
a massa da liga
a vingança da briga
a tônica da acentuação.


Lena Ferreira e Wasil Sacharuk

segunda-feira, 13 de julho de 2015

SONHOS A QUATRO CORAÇÕES


São assim, os sonhos...

Em ondas, vão e vem...
E se renovam a cada avanço ou recuo

Transparentes, límpidos, oscilando entre o azul e o verde
Às vezes cor de fogo, se chegam em turbilhão

Maravilhoso, escutar assim,
as mil e uma cores dos sonhos de verão




                  Ana Sampaio, Lena Ferreira,  MLurdes Carvalho e Alice Sampaio


terça-feira, 31 de março de 2015

CANCIONEIRA

A lua canta em silêncio
as dores que só ela enxerga
nos olhos que não levantam

suspira nos intervalos
tentando um leve conforto
pro peito que ninguém sonha

e num vento taciturno
abraça seu corpo triste
nos lábios, breve sorriso

segue com cancioneira
das dores que, só, contempla
deitando o seu brilho terno


Roberto Camara & Lena Ferreira - mar.15

sábado, 28 de março de 2015

MARES E MARÉS

Tu que tanto te perdes por entre barreiras que não compreendo mesmo sendo paredão da imensidão, enquanto eu liquefeita, sigo... Buscando nas curvas dos brilhos das luas que perdi algo de mim...como riacho doce.


Tu, que de deságues és nascedouro e te derramas sob solos inférteis, povoando-os de ondas e sementes, adubando cada canto com suores e espumas e acompanha a gestação dos grãos, enquanto eu de pertinho observo maravilhada com que tamanha fluidez fazes vingar flores num deserto de sentires.


Ai, como podes ser assim? Tão mar sendo rio apenas... Tu que me derivas e me nomeias como infinito...quando sou tão finita no bradar de tua voz que engulo o silencio quando a saudade de ti me avança como maremoto...que sou cargueiro de histórias....guardando em mim a imagem do veleiro de nós.


Então façamos assim...Partamos, oceanos nunca dantes navegados! Desimportemo-nos com rotas, rumos ou rótulos! Abandonemos cargueiros; usemos os braços incansáveis e em mergulhos profundos descobriremos o que há além dos limites impostos pelas ondas que apavoram a quem nos olha de tão longe e, por tão longe, temem em nós o mergulho.



MARES E MARÉS - Marcia Poesia de Sá de Marcia Poesia de Sá​ & Lena Ferreira​ - mar.15

quarta-feira, 25 de março de 2015

POEMA DAS ALMAS INQUIETAS

Das frases suspensas nas fases de estio
vazio suspeito dobrando viéses
das vezes que verso em rima de frio
verbo por um fio remete a reveses

Das vozes sedentas das dores de cio
fastio que sustenta solvendo osmoses
das doses de inverno em clima sombrio
o inferno bravio reclama os algozes

Das vezes que o vento ventou sobre as folhas
daquelas escolhas tidas como certas
das reses cobertas, envoltas em bolhas
perto se fez longe  das portas abertas

Das bases que o tempo calcou sobre as formas
das normas cuspidas julgadas corretas
das fezes fedidas banhadas de aromas
forjou-se o poema das almas inquietas.


POEMA DAS ALMAS INQUIETAS - Lena Ferreira & Wasil Sacharuk - mar.15

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O QUE SERIA DE NÓS

O que seria de nós
não fosse o riso fácil que nasce solto
como um leve e terno abraço
mesmo distante, mesmo sem ser visto,
aliviando a vida e seu cansaço?


O que seria de nós
 sem este abraço morno,
sem este poema contido,
sem este ser em nós?


Ah ...
O que seria de nós, não fosse a poesia bravia,
o mar que nos bate e os pingos de sol?

 Ah...
O que seria de nós, não fossem os laços refeitos...
docemente rarefeitos, úmidos de manhã e sal?


Não sei...
Não tenho a resposta precisa, exata e sensata...
Só sei que não seríamos os mesmos.
Só sei que sem poesia, sem esse gosto de maresia,
Seríamos mais sós, mais nós e bem menos alegria.


E assim, a vida teria menos graça,
o riso seria por pirraça e não espontâneo e franco como este
que nasceu agora.


Somos o âmago do verso,
o inverso do incerto, a pureza do arrebol.
Somos a pura essência da prosa, o abraço morno da rosa
quando se deita mansamente no terno afago do sol.


O que seria de nós? !



O QUE SERIA DE NÓS – Lena Ferreira & Marcia Poesia de Sá – dez.14



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ASSOVIO

Não grite o amor, amor...
Aquiete
a frase, o verbo, o verso e a língua
Ninguém precisa saber de nós
a não ser nós dois e esse silêncio suspenso e macio
Fala baixo, baixinho
que a minha alma se assusta
com lenços caindo ao chão
Sussurra, então, a declaração bendita ao pé do ouvido
ou um gemido miúdo, como um gato no cio
ou um assovio fino, fininho
com sabor de hortelã
Ou qualquer coisa que se assemelhe a brisa
que não avisa quando vai chegar
Mas por favor, não grite...
Aquiete
o vento e o inverso à míngua
Ninguém precisa estar entre nós
a não ser nós dois com o coração
na palma
Então, perceberá que amar é só calma
silente de olhos ardentes, amor
Inquiete
a frase, o verbo, o verso e a língua
em nós



ASSOVIO - Lena Ferreira & Bia Cunha - nov.14