segunda-feira, 16 de abril de 2012

RECONSTRUÇÃO



Ainda que eu sofra, preciso sentir 
Preciso ver as pedras espalhando-se no chão 
Quero completamente me ver ruir 
E me re-conhecer nessa reconstrução 

Ainda que a noite não tenha luar 
preciso enxergar o que antes não via 
retirar as vertigens que me permitiram sangrar 
e aguardar o nascer de um outro dia 

O bom que ele sempre nasce... por fora ou por dentro 
e tem o dom de transformar a quem se permite 
quando me tranco, não desfolho apenas resseco, sem intento 
mas se me abro, a vida me abraça e nenhum mal insiste 

Ainda que eu viva menos triste, abraçarei as estrelas 
Deitarei na lua com travesseiro de nuvem 
Avançarei às noites permitindo-me vê-las 
sem permitir, não mais, que meus olhos turvem 

Angela Chagas, Bia Cunha e Lena Ferreira

BOM DIA!


Quando o sol clareia o meu viver, tudo parece mais simples.Vejo o reflexo dos meus pés no orvalho espalhado na relva, 
sorvendo a energia da grama para suavizar a longa caminhada...
Quando o sol vai subindo no céu, recordo o tempo em que alcançava os anos vinte,
onde paquerava os riscos e sonhava me casar com a ousadia - tudo era tão fácil e possível...
Não preciso de contas para unir os poentos e o tempo que resta, alinho-me.
Quando o sol vai despedindo-se, de mansinho, tudo parece prece agradecida.
Recebo o frio do noite, sem calafrio, e o breu não me apaga. Acendo-me...
Então canto para a lua, conto estrelas, beijo as nuvens de passagem,
transito entre dia, noite e outro novo dia para manter-me reluzente.
Ouço o canto do sabiá que anuncia a aproximação do arrebol.
Então sorrio; um sorriso simples de quem acredita na magia do recomeçar.
Ah, o recomeçar, é sempre uma fenda de um novo versejar que desponta.
E sempre que o doa clareia, sou o Sol que a vida incendeia...

Angela Chagas, Bia Cunha & Lena Ferreira

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ÁLBUM



Ainda ouço os passos pequeninos
travessos, arteiros, pela sala
e você ainda fala
que eles não estão mais lá.

Aí a saudade rebate no canto
provoca novo pranto e o coração
quer saltar...


O cheiro, as vozes, os choros
desejos impossíveis, gestos
tudo gravado na parede da memória
tempo algum conseguirá apagar.

É que a vida é saltitante de fato
mas as retinas retêm as imagens,
escolhidas feito álbum de fotografia
para imortalizar doces momentos.
.
Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas
11/04/12

DÉLICATESSE




Desce a noite morna e suave
trazendo em cada ponta de estrela,
carícias doces, mansas, delicadas.


E vai seguindo, mansamente
visita corpos exaustos
cobrindo seus olhos com véu.
 
Solfeja nos ouvidos dos amados
segredos, palavras, encantos e desejos
depois parte sorrindo,
convicta de que cumpriu seu papel.
 
Então o dia nasce lindo e aguarda
nova noite, para encantar os sonhos,
eternos companheiros dos amantes.
.
Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas
11/04/12

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DE PÉTALAS E FLORES



 Atrás da vida que vem
sigo passando pela vida passada
sonhando com esses olhos de mel
para sentir minh'alma lambuzada...
.
São aromas de amores,
o desejo que busco ao lhe ver
amálgamas modelando o lúdico
ao sentir desse doce prazer...

São pétalas de sabores,
a vontade que tenho ao sentir
os seus passos por dentro de mim
colorindo minh'alma, a me seduzir

Atrás da vida que vem
sigo assim; saboreando a doçura
do seu perfume, já sou refém
e vou além mesmo julguem loucura

Marçal Filho & Lena Ferreira
MG/RJ -30/11/2011

SABOR DE BRISA


Quero a paz de um sorriso terno
toque sincero num aperto de mãO
quero ser o sol que aquece o inverno
esquecer de uma vez a solidão

Quero de volta o sabor da brisa
para indicar o novo caminho
quero uma palavra mais precisa
e assim colorir de verde meu ninho

Quero meus passos em harmonia
andar com maestria e serenidade
quero saudar a vida com esta poesia
e encontrar, enfim, minha felicidade

Lena Ferreira & Dhenova

sábado, 16 de julho de 2011

ECLIPSE

(Daniel H. M. de Carvalho & Lena Ferreira)


Cedeu-me seus lábios...


Então olhei fixo pra cima

Em busca de seus olhos

Estavam fechados e trêmulos



Sufocado por um instante

Senti o gosto daquele desejo rosado

Tapar-me a boca ofegante

E calar minha língua intrometida



De joelhos lambuzei-me

Feito uma criança gulosa

Saboreando um sorvete

De néctar orquídea-selvagem



Cedeu-me poros, pele, pelos...

Inteiros, rendemo-nos aos apelos

seguidores de estrelas fartas

do céu de mel, de vinho e paixão



Cedi meu ar rarefeito em excesso

doei-lhe a Vida que em mim é farta

insensato que sou, verti três Sóis

e nu e cru clamei por razão



Mas já era tarde; dois corpos atados

jorravam pelos meios o melhor de nós

meu Sol, tua Lua, uma só poesia

eclipse sem fim, sem pudor, extasia...