VERSOS SINTÔNICOS é o resultado da união de almas poéticas em versos entrelaçados. Muitos são os amigos que me deram a honra e o prazer de parceriar. Experiência única e linda, onde um poeta adentra o sentir do outro com tamanha intensidade que tem-se a impressão de que apenas uma pessoa escreveu...Confira.
TANTAS...
segunda-feira, 16 de abril de 2012
DE TROPEÇOS E RECONCILIAÇÕES
Lágrimas geladas ensaiam lavar meu rosto
Escorrem consigo o rímel, blush e batom
Ressinto na boca o tão conhecido ácido gosto
Silêncio lambe-me e apaga todo o som
Vejo a razão delirante a se esconder no canto
Tateio e tropeço nas lamentações passadas
Caio, inevitável, em um poço escuro de pranto
Espalmo o chão para proteger a face já machucada
Reverto a palma da mão e enxugo e sujo o semblante
Aspiro coragem, levanto-me e ensaio alguns passos
Nessa hora,os soluços doídos não são mais constantes
Lentamente me ergo, abaju aceso, fito a serenidade e nela me enlaço
Gradativamente me descubro, corpo teso, fita carmim e falsa..
Tateando a lembrança do teu corpo em mim num abraço
Silenciados e amantes reinventamos nossa valsa
Lena Ferreira, Bia Cunha e Gustavo Drummond
COLHENDO ESTRELAS
A tarde acena, deixando uma brisa morna de presente
Sem alarde, beijando o rosto da noite chegante
que traz na boca um bocado de estrelas cadentes
reluzindo com estupor sombras, selvas, semblantes.
Estrelas estalam, piscam e guiam meu olhar ao lábios da paixão
Vê-las distraídas, apascentam a minha alma, gris, abandonada.
Como se não fosse nada, mesmo carcomida pela corrosão
Então eu abraço a lua, com a esperança de não ser repudiada
De olhos fechados, ensaio um sonho onde vejo dois sóis; nós dois
E nos cubro com o cobertor de nuvens, macias como o nosso sonho
Vejo imagens refletidas na água do lago sagrado e depois...
Amanheço colhendo lembranças floridas que em versos componho
Sem alarde, beijando o rosto da noite chegante
que traz na boca um bocado de estrelas cadentes
reluzindo com estupor sombras, selvas, semblantes.
Estrelas estalam, piscam e guiam meu olhar ao lábios da paixão
Vê-las distraídas, apascentam a minha alma, gris, abandonada.
Como se não fosse nada, mesmo carcomida pela corrosão
Então eu abraço a lua, com a esperança de não ser repudiada
De olhos fechados, ensaio um sonho onde vejo dois sóis; nós dois
E nos cubro com o cobertor de nuvens, macias como o nosso sonho
Vejo imagens refletidas na água do lago sagrado e depois...
Amanheço colhendo lembranças floridas que em versos componho
Lena Ferreira, Gustavo Drummond, Bia Cunha, André Anlub, Angela Chagas e Márcia de Sá
DIARIAMENTE
Desdobre os vincos preocupados
Jogue fora toda a insatisfação
Estenda os sorrisos ensolarados
A sua alma precisa de redenção
Retire a poeira das duas vidraças
Deixe que ela voe para o infinito
Rasgue inteira essa cortina de fumaça
Deixe completamente livre o seu espírito
Cale o verbo sempre que julgar preciso
Mas, conjugue com ênfase o verbo amar
Vista, todos os dias, o seu melhor sorriso
E agradeça, pela dança da vida no seu versificar
Lena Ferreira & Angela Chagas
RECONSTRUÇÃO
Ainda que eu sofra, preciso sentir
Preciso ver as pedras espalhando-se no chão
Quero completamente me ver ruir
E me re-conhecer nessa reconstrução
Ainda que a noite não tenha luar
preciso enxergar o que antes não via
retirar as vertigens que me permitiram sangrar
e aguardar o nascer de um outro dia
O bom que ele sempre nasce... por fora ou por dentro
e tem o dom de transformar a quem se permite
quando me tranco, não desfolho apenas resseco, sem intento
mas se me abro, a vida me abraça e nenhum mal insiste
Ainda que eu viva menos triste, abraçarei as estrelas
Deitarei na lua com travesseiro de nuvem
Avançarei às noites permitindo-me vê-las
sem permitir, não mais, que meus olhos turvem
Preciso ver as pedras espalhando-se no chão
Quero completamente me ver ruir
E me re-conhecer nessa reconstrução
Ainda que a noite não tenha luar
preciso enxergar o que antes não via
retirar as vertigens que me permitiram sangrar
e aguardar o nascer de um outro dia
O bom que ele sempre nasce... por fora ou por dentro
e tem o dom de transformar a quem se permite
quando me tranco, não desfolho apenas resseco, sem intento
mas se me abro, a vida me abraça e nenhum mal insiste
Ainda que eu viva menos triste, abraçarei as estrelas
Deitarei na lua com travesseiro de nuvem
Avançarei às noites permitindo-me vê-las
sem permitir, não mais, que meus olhos turvem
Angela Chagas, Bia Cunha e Lena Ferreira
BOM DIA!
Quando o sol clareia o meu viver, tudo parece mais simples.Vejo o reflexo dos meus pés no orvalho espalhado na relva, sorvendo a energia da grama para suavizar a longa caminhada...
Quando o sol vai subindo no céu, recordo o tempo em que alcançava os anos vinte,
onde paquerava os riscos e sonhava me casar com a ousadia - tudo era tão fácil e possível...
Não preciso de contas para unir os poentos e o tempo que resta, alinho-me.
Quando o sol vai despedindo-se, de mansinho, tudo parece prece agradecida.
Recebo o frio do noite, sem calafrio, e o breu não me apaga. Acendo-me...
Então canto para a lua, conto estrelas, beijo as nuvens de passagem,
transito entre dia, noite e outro novo dia para manter-me reluzente.
Ouço o canto do sabiá que anuncia a aproximação do arrebol.
Então sorrio; um sorriso simples de quem acredita na magia do recomeçar.
Ah, o recomeçar, é sempre uma fenda de um novo versejar que desponta.
E sempre que o doa clareia, sou o Sol que a vida incendeia...
Angela Chagas, Bia Cunha & Lena Ferreira
quinta-feira, 12 de abril de 2012
ÁLBUM
Ainda ouço os passos pequeninos
travessos, arteiros, pela sala
e você ainda fala
que eles não estão mais lá.
Aí a saudade rebate no canto
provoca novo pranto e o coração
quer saltar...
O cheiro, as vozes, os choros
desejos impossíveis, gestos
tudo gravado na parede da memória
tempo algum conseguirá apagar.
É que a vida é saltitante de fato
mas as retinas retêm as imagens,
escolhidas feito álbum de fotografia
para imortalizar doces momentos.
.
Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas
11/04/12
DÉLICATESSE
Desce a noite morna e suave
trazendo em cada ponta de estrela,
carícias doces, mansas, delicadas.
E vai seguindo, mansamente
visita corpos exaustos
cobrindo seus olhos com véu.
Solfeja nos ouvidos dos amados
segredos, palavras, encantos e desejos
depois parte sorrindo,
convicta de que cumpriu seu papel.
Então o dia nasce lindo e aguarda
nova noite, para encantar os sonhos,
eternos companheiros dos amantes.
.
Lena Ferreira/Marçal Filho
Rio/Minas
11/04/12
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